O SEGREDO DO MEU IRMÃOZINHO – Parte 1

Me chamo Claudiomar e atualmente tenho
vinte e três anos. Sou carioca, nasci e

fui criado em Jacarepaguá. Meus pais

me tiveram ainda muito jovens — minha
mãe tinha dezoito anos quando nasci —

e se juntaram em 1992, quando minha

mãe engravidou pela segunda vez. Dessa
gravidez, nasceu Gabriel, três anos mais
novo que eu. Quando eu estava com

seis anos — e Gabriel três — meu pai
simplesmente meteu o pé e nos abandonou,
nos largando com nossa mãe. Ele nunca
mais deu as caras e Gabriel e eu fomos
criados sempre ouvindo o quão desprezível
era nosso pai: beberrão, irresponsável,
vagabundo (odiava trabalhar), mulherengo e
muitas outras “qualidades” que não vou nem
perder tempo dizendo.

Para ser sincero, antes dos seis anos eu não
me lembro de como minha mãe me tratava,
mas depois que o meu pai a largou, ela se
agarrou a meu irmão Gabriel e praticamente
esqueceu que tinha um filho mais velho a
cuidar. Eu sempre fui muito parecido com
meu pai — sou basicamente um Xerox dele
— e isso é tão aparente, que acho que minha
mãe sempre se sentiu incomodada de ter
que se lembrar para sempre do homem que
a abandonou. Já meu irmãozinho caçula,
Gabriel, “felizmente” puxou os genes da
família dela e pouco lembrava o nosso pai
cafajeste.

Eu sempre fui um sujeito emburrado e de
poucos sorrisos (basicamente nenhum

para ser sincero), além de ser muito mais
desenvolvido fisicamente para a idade que
eu tinha (sempre pareci mais velho do que de fato sou).

Puxei os cabelos crespos e o

físico avantajado do meu pai. Gabriel já é o
oposto: sempre foi encantador e sorridente,
magricelo e com cabelos negros muito lisos
e escorridos. O meu irmãozinho sempre foi
xodó em casa, na vizinhança, na escola e
em qualquer lugar que passava. Carismático,
jeitinho de bebê, delicado e muito educado,
Gabriel sempre conquistou as pessoas,
desde aquelas da sua idade até os mais
velhinhos. As pessoas sempre estranharam
o fato de sermos irmãos, por sermos tão
diferentes um do outro. Muitos chegavam a
pensar que um de nós — provavelmente eu —
fosse adotado.

Quando ainda éramos bem crianças, nos
dávamos muito bem. Eu me sentia o irmão
protetor por ser mais velho. Muitas crianças
da idade do Gabriel tentavam ser más com
ele, provavelmente por inveja, já que ele
sempre foi tão paparicado. E eu defendia
meu irmãozinho com unhas e dentes! Certa
vez quase quebrei a cara de um moleque
cavalão que morava no mesmo condomínio
que nós. Ele tentou expulsar Gabriel do
balanço e quando vi a cena, caí em cima

do cavalão, dando-lhe um soco bem

dado na têmpora, que começou a sangrar
instantaneamente. Gabriel tinha nove anos

e eu doze nesta época (eu acho, me lembro
bem da situação, mas não tão bem em

que época ocorreu). Nossa mãe, além de
me bater, colocou-me de castigo por um
mês inteiro, mesmo que minha ação tenha
sido nobre e justificada. Mas a gratidão e o
reconhecimento do meu irmãozinho caçula
foi mais que o suficiente para que eu não
me arrependesse do que tinha feito, e me
convencesse de que se fosse necessário, eu

faria novamente. As coisas começaram a ficar estranhas
entre Gabriel e eu quando eu estava com
quinze anos e ele doze. Tudo que meu
irmãozinho queria ele conseguia com nossa
mãe, entretanto eu já não ganhava mais
nada, nem mesmo um pouco de carinho,
que facilmente Gabriel conseguia dela.
Todas as minhas atitudes passaram a ser
consideradas por nossa mãe como rebeldias
da adolescência. E todas as vezes que eu
tentava argumentar, Gabriel era exposto
como modelo de perfeição, alguém que eu
deveria me espelhar como pessoa.

Então aquele amor protetor que eu sentia
por meu irmão deu lugar a muita raiva

e inveja. Passei a culpar meu irmão de
roubar todo o carinho e atenção de nossa
mãe só para ele. Com dezesseis anos eu
então desisti de brigar com Gabriel por
amor, por carinho, por atenção ou seja lá
mais o que for que nossa mãe poderia
oferecer. Basicamente me afastei dos dois
— embora sentisse saudades dos bons
tempos, quando éramos crianças e nada
disto importava — mesmo ainda vivendo na
mesma casa com eles.

Uma coisa importante a se relatar é a
questão da minha sexualidade. Pode
parecer estranho para muitos, mas antes
do que aconteceu entre Gabriel e eu (que

já vou começar a contar) eu jamais tive
interesse por alguém do mesmo sexo que
eu. Devo ressaltar inclusive que eu cheguei
a ser completamente apaixonado por uma
menina que estudava comigo. E eu desejava
aquela menina, quantas punhetas eu soquei
pensando nela, como qualquer adolescente
normal se descobrindo. Naquela época
nunca imaginei o que ia acontecer depois
entre Gabs e eu.

Nesta mesma época, com dezesseis anos,
eu tinha alguns colegas na escola que
fumavam. Era muito normal naquela época
a galera ficar sentada a frente do colégio,
fumando e conversando antes do início
das aulas. Eu ficava muito excitado vendo
as vadias da escola fumando e beijando

na boca! Eu, um antissocial e perdedor de
carteirinha nunca tinha namorado, nem
beijado na boca e muito menos fumado um
cigarro na minha vida, embora meu desejo
fosse de fazer tudo isso.

Alguns colegas até me ofereciam cigarros e
cheguei a aceitar alguns, embora dissesse
que eu iria guardar pois preferia fumar a
noite antes de dormir. A verdade era que

eu não tinha coragem nenhuma de fumar!
O medo de o cheiro empestear em meu
uniforme e minha mãe descobrir era muito
grande. E ela odiava cigarro, pois meu
desaparecido papai era fumante inveterado.
Ela sentia o cheiro do cigarro do nosso
vizinho e se enfurecia como se alguém
tivesse entrado em nossa casa e tivesse
estapeado seu rosto sem motivo nenhum.
Ela se transformava no cão chupando
manga! Eu às vezes me masturbava no
banheiro com o cigarro apagado na boca,
fingindo que estava fumando. Inacreditável,
eu sei, digno de um imbecil perdedor.

A minha rotina naquela época era: acordar
muito cedo, ir para a escola, às vezes

ficar conversando um pouco com os
poucos colegas que eu tinha — e nossas
conversas eram vazias e sem conteúdo…

Continua…

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